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Tom Jobim – A vida e a arte de um gênio da música

"Biografias", por: - 25 de janeiro de 2017

Detalhes

Antonio Carlos Jobim, ou simplesmente Tom Jobim (como é mais conhecido), nasceu no Rio de Janeiro em 25 de janeiro de 1927.

Este gênio dos instrumentos e das composições veio ao mundo em um ano de grandes marcos para a história do Brasil, tais como a legalização do voto feminino, que se deu no estado do Rio Grande do Norte (RN) e a criação da companhia aérea Varig (Viação Aérea Rio-Grandense), que foi a primeira companhia aérea brasileira.

Tom Jobim e sua mãe Nilza
Tom Jobim e sua mãe Nilza

Tom Jobim foi concebido por uma mãe ainda muito jovem, Sra. Nilza, de apenas 16 anos. Seu pai, Sr. Jorge, logo se separou de sua mãe e não acompanhou seu crescimento. Em uma tentativa de reconciliação de seus pais, em 1931, nasce sua irmã Helena Isaura. Mas o casamento não resistiu e em pouco tempo, se deu a separação definitiva.

Somente após atingir a vida adulta, Tom Jobim teve notícias de seu pai, já então falecido no ano de 1935.
Tom cresceu sem a presença paterna e sem nenhum tipo de conhecimento sobre o que poderia ter causado a morte de seu pai.

Quando Tom Jobim completou 10 anos, sua mãe se casou novamente, e das recordações de infância, restaram apenas poucas fotografias e um álbum “Meu Bebê”, usado pelos casais da época para acompanhar o crescimento de seus filhos.
Somente neste albúm, Tom descobriu o local onde havia nascido, no bairro da Tijuca. Antes de seu nascimento, a família morava em Copacabana, mas por problemas financeiros, se mudaram para um bairro mais modesto.

Uma curiosidade que vale ser contada é que o médico responsável pelo parto de Tom Jobim no ano de 1927, também foi o responsável pelo nascimento de Noel Rosa em 1910.

É bem provável que este homem tenha falecido sem saber que de suas mãos nasceram dois dos maiores compositores do nosso Brasil.

De 1928, data do primeiro aniversário de Tom, até 1935, data do falecimento de seu pai, ele, sua mãe, sua irmã, avós e tios já haviam mudado de residência cinco vezes. Tom só conheceu a casa em que nasceu por uma velha fotografia guardada por sua mãe.

Agora crescido, Tom morava em Copacabana.

Já na idade escolar, se despontava como um prodígio. Aprendeu a ler e escrever em 3 meses e era arteiro na escola.

Seu primeiro contato com a literatura foi com o livro Juca e Chico de Wilhelm Busch, traduzido por Olavo Bilac.

Após o novo casamento de sua mãe, Tom se mudou com a família para o bairro de Ipanema.

Tom Jobim, seu pai Jorge e sua irmã Helena
Tom Jobim, seu pai Jorge e sua irmã Helena

Tom Jobim e a música

A família de Tom Jobim era apreciadora de boa música. Sua avó materna e sua mãe gostavam de tocar piano e de cantar.

Seu apelido “Tom” veio de uma canção de ninar que sua mãe gostava de cantar para seus filhos. É uma música francesa chamada “Ma vie s´en va ton guerre, ton, ton, ton”.

Em 1938, sua mãe, senhora Nilza, fundou em sua casa, um jardim de infância, uma pequena instituição para cuidar de poucas crianças, enquanto suas mães trabalhavam. A ideia deu tão certo que em pouco tempo, Nilza inaugurou sua primeira escola, a chamada “Escola Brasileira”.

Em 1946, esta escola passou a oferecer também o curso ginasial e mudou seu nome para “Colégio Brasileiro de Almeida”, em referência ao sobrenome de sua família.

Tom Jobim jovem no piano
Tom Jobim jovem no piano

Com o crescimento do colégio, a mãe de Tom Jobim tentou equipá-lo como conseguiu e tratou logo de comprar um piano. Era usado, com  “um teclado de marfim já meio cariado”, conforme relato de Tom.

Este piano foi um dos responsáveis pelo seu despertar para a música.

Inicialmente Tom não demonstrava grande interesse por pianos, permanecendo o novo instrumento esquecido por um tempo na garagem de sua casa. Mas logo, após começar a acompanhar as sessões que seu tio Marcelo promovia em casa, seu interesse pela música floresceu com força total.

Marcelo era boêmio e frequentemente convidava músicos para festas na casa da família de Tom.

Mas, o piano havia sido adquirido com outro propósito e precisava ser entregue a um professor. O escolhido para a função por Dª Nilza foi Hans Joachim Koellreuter, um alemão de 24 anos que se refugiara no Brasil, fugindo do regime nazista.

Hans era um flautista e dizia não ser muito bom com o piano, mas ensinou a Tom a “alma da música”. O ensinou a ser criativo no campo da harmonia e do ritmo. O ensinou a compor algo novo utilizando apenas uma nota musical.

As aulas de Hans com Tom Jobim duraram pouco mais de um ano, mas mesmo sem professor, o jovem sedento por conhecimento, não largou o piano.

Em uma pirâmide de amigos na praia, Tom caiu e fraturou uma apófise, o que o afastou das atividades físicas e o aproximou ainda mais do piano e da vida boêmia.

Já no início da década de 50, começou a tocar piano em uma boate.

Depois dos bares, Tom e seus amigos costumavam se reunir em sua casa em volta do piano e lá permaneciam.

Tom proporcionava aos amigos as músicas que tocava e audições de discos. Em sua discoteca, haviam músicas brasileiras e norte-americanas. Entre os álbuns haviam músicos como Orlando Silva, Pixinguinha, Silvio Caldas e Dircinha Batista.

Tom e sua potente radio vitrola
Tom e sua potente rádio-vitrola

 

Tom Jobim em seu apartamento em Ipanema
Tom Jobim em seu apartamento em Ipanema

Neste mesmo período o grupo de amigos foi aumentado pela chegada de Thiago de Mello, que era responsável por um musical da época chamado Algodão, que mais tarde seria cantado pelo próprio Thiago e acompanhado por Antônio Carlos Jobim no piano. Esta amizade nasceu do amor de ambos pela poesia.

Outra personalidade que integrou o grupo no mesmo período foi Luiz Bonfá.

Não importa onde estivesse, nas noites, nos bares de Ipanema, no bolso de Tom sempre existia uma gaita, que usava para tocar uma canção que aprendera ou para dar um exemplo de algum ponto de vista sobre as músicas.

Tom chegou a criar um grupo de tocadores de gaita com Newton Mendonça, Marcos Konder e Carlos Madeira, mas este grupo não sobreviveu por muito tempo.

Tom também improvisava conjuntos vocais, mania esta, que levou até o fim de sua vida.

No ano de 1944, Tom Jobim e Marcos Konder Netto, seu amigo de escola, começaram a pensar sobre qual carreira deveriam seguir e optaram por arquitetura, uma profissão que os amigos e familiares de Tom, não conseguiam imaginar para ele.

Ainda nos primeiros meses de faculdade, conseguiu um estágio no escritório de Jorge Moreira, um dos grandes nomes da arquitetura da época.

Pouco tempo depois, rompeu mais uma vez, seu namoro com Thereza Otero Hermanny, com quem pretendia ficar noivo e se casar.

Já que não haveria casamento, não haveria mais a necessidade de um trabalho sério e de faculdade.

Após este período, Tom passou por uma fase de depressão, por conta do rompimento do namoro e pela indecisão da carreira, se arquiteto ou músico.

Por conta da depressão, foi encaminhado ao psicólogo Mira y Lopez que após análises disse que Tom não poderia ser cobrado por horários rígidos, o que o motivou a decidir de vez pela carreira da música, com o apoio do padrasto Celso Frota.

Após sair de vez da Escola Nacional de Belas Artes, a depressão passou e Tom foi patrocinado pelo padrasto para frequentar as aulas da professora Lúcia Branco, que teria entre seus alunos, alguns dos principais nomes da música clássica, como Jacque Klein, Nelson Freire e Arthur Moreira Lima.

Nesta fase, Tom se dedicou inteiramente à música clássica e sua professora percebeu que ele tendia a ser compositor e não concertista.

Lúcia Branco chegou a essa conclusão quando ouviu sua primeira valsa, influenciada pelas músicas que estudava e que mais tarde teria letra de Chico Buarque, garantindo-lhe o título de Imagina.

Tom Jobim e Thereza Hermanny
Tom Jobim e Thereza Hermanny

Depois de Lúcia Branco, Tom estudou harmonia com o professor Paulo Silva, que muito sistemático, não conseguiu manter o aluno criativo por muito tempo.

O professor seguinte foi o pianista espanhol Tomaz Gutierrez, que foi quem chamou atenção de Tom para a obra erudita do maestro Radamés Gnatalli.

Já no final da segunda metade da década de 40, Tom Jobim contraiu uma doença chamada Brucelose (causada por leite contaminado) e ficou muito doente. Por conta disso, reatou seu namoro com Thereza e se casaram em outubro de 1949.

Início da trajetória de Sucesso

Em 1950, com Tom passando por crises de Brucelose, nasce o primeiro filho do casal Jobim.

Neste período, Tom, Juquinha e alguns amigos tinham algumas músicas ensaiadas em grupo e receberam uma proposta de um baixista chamado Bill para tocar na boate Vogue, a mais elegante da cidade.

A banda foi formado por Tom no piano, Mário Saliva no violão, Juquinha na bateria e Bill no contrabaixo.

Já na estréia, uma grande decepção. O pianista responsável pela boate, pediu que tocassem um repertório francês. O resultado foi demissão na primeira noite.

Tom Jobim
Tom Jobim

O segundo emprego de Tom foi sem banda, em um restaurante na avenida Atlântica. Trabalho que não durou muito, pois Tom estava doente, pela brucelose e pela vida boêmia que era obrigado a viver.

Após este período de saúde frágil, Tom Jobim voltou a tocar na noite carioca e começou a integrar uma espécie de clube de pianistas, no qual se organizavam para que nenhuma casa ficasse descoberta.

Inicialmente, fazia parte deste grupo os pianistas Britinho, Fats Elpídio, Carlito, Centopéia, Bené Nunes, Francisco Scarambone e Chuca Chuca. Ainda na primeira metade da década de 50, este grupo foi integrado também por Johnny Alf e Sérgio Ricardo.

Em meio a esses acontecimentos, Tom Jobim passou a ser reconhecido entre o grupo como estrela, por causa de seu estilo pessoal de tocar piano e pela sua criatividade na descoberta de novas harmonias.

Foi uma fase intensa e nada fácil, pois o grupo de pianistas não tinham destino certo, tocavam desde as esquinas de Copacabana até as mais badaladas boates do Rio de Janeiro. Com isso, precisavam atender a todo tipo de público, de bêbados a pessoas sofisticadas da alta sociedade carioca.

Neste período intenso e de pouco rendimento, Tom percebeu que precisava de um período de estudo para se aprimorar na orquestração. Se debruçou sobre seus livros e assim passou seis meses estudando, enquanto seu padrasto assumia os gastos de sua família.

Procurou também os maestros Alceo Bocchino e Radamés Gnattali para lhe darem aulas.

O compositor Alcides Fernandes (que na época era marido da empregada doméstica de Tom) o encaminhou para sua primeira atividade profissional fora da noite, trabalhar para a editora Euterpe. Sua função era passar para a pauta as obras dos compositores que não sabiam fazer música.

Este trabalho não trazia grande contribuição financeira, mas para sua carreira, talvez tenha sido seu divisor de águas. Na editora Euterpe, ele editou músicas de sua primeira fase, tais como Tereza da praia e uma parte da Sinfonia do Rio de Janeiro, entre outras.

Depois deste trabalho, seu tio Marcelo Brasileiro de Almeida, procurou Victor Costa, diretor da Rádio Nacional e pediu para o sobrinho, um cargo de pianista na orquestra da emissora.

Este emprego não foi possível, já que os músicos que lá estavam, não pretendiam sair de nenhuma forma, e para isso, eram muito dedicados. Victor Costa sugeriu então que Tom fosse indicado para a Rádio Clube, que estava fazendo contratações naquele período.

O maestro Alceo Bocchino era o responsável pela orquestra e ofereceu essa chance ao ex aluno.

Tom Jobim, fascinado com a oportunidade, se aproximou cada vez mais do maestro e aprendeu cada vez mais também.

Tom Jobim e seu tio Marcelo Brasileiro de Almeida
Tom Jobim e seu tio Marcelo Brasileiro de Almeida

Nos poucos meses em que permaneceu na Rádio Clube, aprendeu muito e se entrosou aos colegas de orquestra. Foi quando seu amigo Marcos Soledade fez um convite para trabalhar na gravadora Continental como assistente de direção artística.

Tom aceitou o convite e foi trabalhar nesta gravadora, que resistia às grandes concorrentes multinacionais.

A partir de então sua vida financeira melhorou e Tom, sua mulher e filho foram morar em um grande apartamento, no mesmo edifício onde vivia seu tio Marcelo, que recebia frequentemente visitas de Silvio Caldas e Elizeth Cardoso.

Tom Jobim compondo
Tom Jobim compondo

Durante sua estadia na Continental, Tom compôs  algumas músicas com Newton Mendonça, Juca Stockler e Alcides Fernandes e as tocava nas boates em que trabalhava para testar as reações do público.

Sua parceria com Newton Mendonça também fervilhava, rendendo várias canções em seus encontros, em meio a muita cerveja.

Lúcio Alves, um de seus intérpretes favoritos, também o estimulava nas composições.

A última boate em que Tom trabalhou como pianista foi a Posto Cinco. Após a saída de Tom, quem assumiria seu cargo era o pianista Sérgio Ricardo, que ocupava o posto preocupado, pois assumiria a posição de um gênio da música.

Tom, mesmo trabalhando na Continental, ainda tocava na noite, pouco pelo retorno financeiro, mas muito pela boemia e a necessidade de estar sempre neste meio para se manter entre o seleto grupo de pianistas que fazia parte.

Sua dupla jornada o proporcionou conhecer pessoas muito talentosas, como o jovem Johnny Alf, que admirou e apresentou a vários de seus amigos.

Outra descoberta foi a do acordeonista João Donato, que depois também passaria para o piano.

Tom passou a frequentar outra boate, o Clube da Chave (que ganhou esse nome porque cada associado tinha sua chave para o bar do clube). Lá, acompanhava sempre Johnny Alf, Valzinho e até Radamés Gnattali. Tom também gostava muito de dar “canjas” neste local.

Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Foi no Clube das Chaves que Tom Jobim e Vinicius de Moraes se encontraram pela primeira vez. Tom estava ao piano, tocando “Tão sóde Dorival Caymmi e Carlos Guinle.

Vinícius de Moraes era frequentador da boate e Tom nem se atrevia a se aproximar da turma de grandes músicos com que Vinicius frequentemente aparecia na boate.

Em nenhum momento Tom Jobim deixou de estudar orquestração ou compor suas músicas. Assim, em 1953 saiu o primeiro disco com uma de suas composições. Este disco não foi gravado pela Continental e sim pela Sinter.

A canção era Incerteza, uma música identificada com o clima da época em que foi lançada (década de 50) em que as canções contavam histórias de amor que envolviam sofrimento.

Na incerteza
Em que eu vivo os meus dias
Ainda espero um alegre amanhã
Eu vivo uma noite sem lua
Que nunca se acaba
De tanta tristeza
Que eu levo comigo
Sem ninguém para me sorrir
Ando à procura de alguém
Não sei se vou encontrar
Pois este alguém já perdi
Sem forças para lutar
Eu vivo uma noite sem lua
Que nunca se acaba
De tanta tristeza
Que eu levo comigo
Sem ninguém para me sorrir

 

Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Tom Jobim e Vinicius de Moraes

O repertório para o segundo disco com músicas de Tom Jobim também saiu do Clube das Chaves, interpretado por Ernani Filho, que se tornaria o preferido de Ary Barroso.

Em Junho de 1953, a Sinter lançou junto com o LP que Ernani Filho interpretou, um disco de 78 rotações que rendeu a Tom o primeiro comentário sobre suas músicas feito pelo crítico mais lido da época, o Sílvio Túlio Cardoso para o jornal O Globo.

“Um dos melhores, senão o melhor disco de música brasileira de 1953 até o momento”.

Apesar desta boa crítica, a carreira de Tom Jobim ainda não estava firmada. Ele continuou compondo, desta vez com Billy Blanco.

Tom costumava ensaiar com João Gilberto e João Donato na casa de Dorival Caymmi, sempre com os meninos Dori e Danilo Caymmi por perto.
Em 1954, Tom Jobim apareceu pela primeira vez em um disco gravado pela Continental. Ele gostava que seus discos tivessem seu nome, Antônio Carlos Jobim e não Tom Jobim.

Neste disco Tom aparecia como acompanhante da faixa do lado B, o samba-canção Maria Thereza, de Billy Blanco.

Ainda em 1954, Tom Jobim e Billy Blanco gravam Sinfonia do Rio de Janeiro, com participação de Dick Farney, Gilberto Milfont, Elizeth Cardoso e Emilinha Borba.

Radamés Gnatalli escreveu o arranjo e exigiu que seu pupilo, Tom Jobim, regesse a orquestra.

O disco foi um fracasso comercial. Em 1960 foi regravado com novos intérpretes, o resultado foi um pouco melhor, porém, não era o esperado. Boa parte desta melhora no sucesso do LP se deve ao fato do nome de Tom Jobim estampar as capas do disco, pois nesta época ele já era um compositor famoso.

Em 1955, em seu aniversário de 28 anos, o maestro Radamés lhe deu um presente: participar do programa Quando os maestros se encontram da Rádio Nacional. Este programa foi criado para homenagear os maestros da emissora, que escreviam muitos arranjos e raramente tinham a oportunidade de apresentá-los.

Mas este fato não se deu somente em virtude da ocasião de seu aniversário.  Radamés havia incentivado Tom a compor a música Lenda, e só a apresentaria se Tom assumisse a regência. Um desafio muito grande, pois na orquestra havia grandes nomes da música.

Ao final do programa, Tom foi cumprimentado pela beleza de sua obra.

O ano de 1955 correu muito bem. No mês de março, o primeiro disco com o acompanhamento de Tom e sua orquestra foi lançado pela Continental. O disco era da cantora Dóris Monteiro.

No dia 6 de maio de 1955, Tom estava com seus arranjos novamente em estúdio, para gravar dois discos de Dóris.

No fim do ano de 1955, Tom recebe o segundo lugar na relação de melhores arranjadores do ano, ficando em primeiro lugar o maestro Radamés Gnatalli.

Neste momento, Tom começa a experimentar certo prestígio no meio musical e é contratado pela gravadora Odeon como Arranjador e Diretor de Orquestra.

Em 1956, Tom se encontra novamente com o poeta Vinicius de Moraes, em uma mesa do bar Vilariño.

Vinicius  estava em uma mesa com Haroldo Barbosa e Lúcio Rangel, contando sobre as dificuldades em se encontrar um compositor e se possível uma orquestra para a música de sua peça teatral Orfeu da Conceição.

Radamés Gnatalli
Radamés Gnatalli

Lúcio Rangel apontou para Tom, que estava em uma outra mesa, tomando cerveja. E assim, se deu o início da trajetória de sucesso de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.

Tom convidou Vinicius para mostrar a música e ali nasceu o encantamento de um pelo trabalho do outro.

Nesta peça, Tom não abriu mão de dois músicos amigos, o Luiz Bonfá e o Juca Stockler.

Assim, em setembro de 1956, estreou a peça Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, uma noite mágica, envolvendo muita emoção.

A opinião de Radamés Gnatalli saiu no jornal Diário Carioca:

“Quero felicitar Vinicius de Moraes pela escolha acertadíssima do compositor para o seu Orfeu. Antônio Carlos Jobim, além de ter uma natureza essencialmente musical, possui a cultura e a sensibilidade artística necessárias para colocar na pauta a música adequada a um texto assim. Não se trata apenas de musicar uma poesia, mas de viver o assunto da tragédia acompanhando a ideia do poeta. Acho isso a coisa mais difícil do mundo, pois, além da cultura musical necessária, é preciso que esteja o compositor à altura intelectual do poeta. Antônio Carlos Jobim, nosso querido Tom, compôs a música que o nosso não menos querido poeta devia esperar para a consagração completa de sua obra”.

Orfeu da Conceição
Orfeu da Conceição

No primeiro dia de outubro do mesmo ano, a gravadora Odeon gravou um LP com as músicas do espetáculo.

Tom e Vinicius continuaram firmes em suas composições. Nem mesmo após Vinicius de Moraes se mudar para Montevidéu, os sambas deixaram de ser escritos. O samba A Felicidade foi praticamente feito via telefone do Rio para Montevidéu.

Em 1960, Tom apresentava um programa em que tocava piano e entrevistava músicos na TV Paulista. Na noite em que entrevistou Vinicius de Moraes, os dois travaram um diálogo surrealista ao humor de Tom. Muitos dos espectadores ficaram sem entender a entrevista.

Tom Jobim e a Bossa Nova

Em abril de 1956, o então diretor artístico da Odeon, Aloysio Oliveira, conheceu a intérprete Sylvia Telles, com a canção Foi a noite, de Tom Jobim e Newton Mendonça. Uma bela canção que deixou a todos intrigado, sobre qual ritmo classificar. Acabou sendo identificada como samba-canção.

Aloysio Oliveira já ouvia falar de tendências musicais com a introdução de recursos da música erudita e do jazz.

Nesta época, Tom Jobim e Newton Mendonça já faziam músicas com um ritmo “estranho”, mas foi Johnny Alf que radicalizou no gênero musical.

A música Chega de Saudade é desta época. Logo após o sucesso de Orfeu do Rio de Janeiro, Tom Jobim compôs a música e apresentou para Vinicius de Moraes que iria compôr a letra.

A música Se todos fossem iguais a você é de 1957, época em que a carreira de Tom já estava consolidada. Os longos anos de incertezas havia ficado para trás.

No ano de 1957, Tom e Thereza tiveram uma filha, Elizabeth, e as reuniões no apartamento da família ficaram prejudicadas.

Em 1958, o até então desconhecido João Gilberto participou da gravação de um LP interpretado por Elizeth Cardoso, com Tom Jobim nas composições. O LP era Canção do Amor Demais.

A Bossa Nova nesta época já surgia como um movimento que traria o diferencial na música brasileira que os jovens da época estava buscando.

Em 1959, o ritmo foi consolidado com o LP Chega de Saudade que foi interpretado por João Gilberto e contou com arranjos e direção musical de Tom Jobim.

Em 1962, Tom Jobim foi um dos destaques em Nova YorK, no Festival de Bossa Nova do Carnegie Hall.

No ano de 1963 Tom Jobim e Vinicius de Moraes compuseram juntos o grande clássico da Bossa Nova, Garota de Ipanema.

Nos Estados Unidos, Tom Jobim gravou discos e competiu com os Beatles, Rolling Stones e Elvis Presley ao Grammy de música do ano. Ganhou este prêmio com a música Garota de Ipanema.

Em 1967, Tom Jobim grava com Frank Sinatra o disco Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim.

Discografia e participações musicais de Tom Jobim

  • Sinfonia do Rio de Janeiro (Tom Jobim e Billy Blanco) Ano/1954 – Gravadora Continental
  • Orfeu da Conceição – Trilha sonora da peça teatral – Ano/1956 – Participação: composição, orquestrações e regência – Gravadora Odeon
  • Carícia (Sylvia Telles) Ano/1957 – Participação como arranjadora
  • Canção do amor demais (Elizeth Cardoso) Ano/1958 – Participação como compositor, arranjador e pianista – Gravadora Festa
  • Chega de Saudade (João Gilberto) Ano/1959 – Participação como arranjador – Gravadora Odeon
  • O amor, o sorriso e a flor (João Gilberto) Ano/1960 – Participação como arranjador – Gravadora Odeon
  • João Gilberto (João Gilberto) Ano/1961 – Participação como arranjador – Gravadora EMI-Odeon
  • Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) Ano/1961 – Gravadora Elenco
  • Brasília, Sinfonia da Alvorada (Tom Jobim) – Ano 1961 – Gravadora Columbia
  • The Composer of Desafinado Plays (Tom Jobim) Ano/1963 – Gravadora Verve
  • Getz/Gilberto (Stan Getz, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim) Ano/1963 – Gravadora Verve
  • Bossa Nova York (Sergio Mendes) Ano/1964 – participação – Gravadora Elenco
  • The Wonderful World of Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) Ano/1964 – Gravadora Warner Bros
  • The Astrud Gilberto Album (Astrud Gilberto) Ano/1965 – participação – Gravadora Elenco
  • Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) Ano/1965 – Gravadora Warner Bros
  • Caymmi visita Tom (Dorival Caymmi e Tom Jobim) Ano/1965 – Gravadora Elenco
  • A Certain Mr. Jobim (Tom Jobim) Ano/1965 – Gravadora Warner Bros
  • Wave (Tom Jobim) Ano/1967 – Gravadora A&M
  • Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim (Frank Sinatra e Tom Jobim) Ano/1967 – Gravadora Reprise
  • Tide (Tom Jobim) Ano/1970 – Gravadora A & M
  • Stone Flower (Tom Jobim) Ano/1970 – Gravadora CTI
  • Construção (Chico Buarque) Ano/1971 – participação – Gravadora Philips
  • Sinatra & Company (Frank Sinatra, Antonio Carlos Jobim, Don Costa e Eumir Deodato) Ano/1971 – Gravadora Reprise
  • Matita Perê (Tom Jobim) Ano/1973 – Gravadora MCA
  • Elis & Tom (Elis Regina e Tom Jobim) Ano/1974 – Gravadora Philips
  • Urubu (Tom Jobim) Ano/1976 – Gravadora Warner Bros
  • O Som Brasileiro de Sarah Vaughan (Sarah Vaughan) Ano/1977- Participação – Gravadora RCA
  • Tom, Vinícius, Toquinho, Miúcha – gravado ao vivo no Canecão (Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Toquinho e Miucha) Ano/1977 – Gravadora Som Livre
  • Miucha e Antonio Carlos Jobim (Miucha e Tom Jobim) Ano/1977 – Gravadora RCA
  • Miucha e Tom Jobim (Miucha e Tom Jobim) Ano/1979 – Gravadora RCA
  • Sinatra-Jobim sessions (Frank Sinatra e Tom Jobim) Ano/1979 – Gravadora WEA Brasil
  • Terra Brasilis (Tom Jobim) Ano/1980 – Gravadora Warner Bros
  • Brilhante – Trilha sonora da novela – Ano/1981 – Participação – Gravadora Som Livre
  • Ella abraça Tom – Ella Fitzgerald sings the Antonio Carlos Jobim Song Book (Ella Fitzgerald) Ano/1981 – Tributo – Gravadora PolyGram
  • Antonio Carlos Jobim – Homem de Aquarius (Tom Jobim) Ano/1981 – Gravadora Philips
  • Edu e Tom (Edu Lobo e Tom Jobim) Ano/1981 – Gravadora Philips
  • Gabriela – Trilha sonora do filme (Vários artistas) Ano/1983 – Participação. Trilha sonora original de Tom Jobim.- Gravadora RCA
  • Tom Jobim e Billy Blanco (Tom Jobim e Billy Blanco) Ano/1983 – Gravadora Relevo/Continental
  • O Tempo e o Vento – Trilha sonora da minissérie (Vários artistas) Ano/1985 – Participação – Gravadora Som Livre
  • A Música em Pessoa – Ano/1985 – Participação
  • Estrela da vida inteira (Olívia Hime) Ano/1986- Participação – Gravadora Continental
  • Anos dourados – Trilha sonora da minissérie (Vários artistas) Ano/1986 – Participação – Gravadora Som Livre
  • Tom Jobim inédito (Tom Jobim) Ano/1987 – Gravadora BMG
  • Passarim (Tom Jobim) Ano/1987 – Gravadora Verve/PolyGram
  • A.C.Jobim (CBPO) (Tom Jobim) Ano/1987 – Gravadora Sabiá
  • Rio Revisited (Tom Jobim e Gal Costa) Ano/1988 – Gravadora Verve/PolyGram
  • O dono do mundo – Trilha sonora da novela (Vários artistas) Ano/1991 – Participação – Gravadora Som Livre
  • Songbook Noel Rosa (Vários artistas) Ano/1991 – Participação – Gravadora Lumiar
  • Gal Costa (Gal Costa) Ano/1992 – Participação – Gravadora RCA
  • Songbook Vinícius de Moraes (Vários artistas) Ano/1993 – Participação – Gravadora Lumiar
  • Songbook Dorival Caymmi (Vários artistas) Ano/1993 – Participação – Gravadora Lumiar
  • Songbook Carlos Lyra (Vários artistas) Ano/1993 – Participação – Gravadora Lumiar
  • Carnegie Hall salutes the Jazz Masters (Vários) Ano/1993 – Participação – Gravaddora Verve
  • Songbook Ary Barroso (Vários artistas) Ano/1994 – Participação – Gravadora Lumiar
  • Antônio Brasileiro (Tom Jobim) Ano/1994 – Gravadora Globo/Columbia

Obras póstumas

  • Antonio Carlos Jobim: composer – compilação (Tom Jobim) Ano/1995 – Gravadora Warner
  • Tom canta Vinicius (Tom Jobim) Ano/2000 – Gravadora Jobim Music
  • Jobim Sinfônico (Vários artistas) Ano/2003 – Tributo – Gravadora Biscoito Fino
  • Tom Jobim Inédito (Tom Jobim).Ano/2005 – GravadoraBiscoito Fino
  • Tom Jobim ao vivo em Montreal (Tom Jobim) Ano/2006 – Gravadora Biscoito Fino
  • A casa do Tom – Mundo, Monde, Mondo – Ano/2007 – Gravadora Biscoito Fino
  • Tom Jobim ao vivo em Montreal (Tom Jobim) Ano/2007 – Gravadora Biscoito Fino
  • Minha alma canta (Tom Jobim) Ano/2010 – Compilação – Gravadora Biscoito Fino

No dia 8 de dezembro de 1994, vítima de uma parada cardíaca, Tom Jobim se calou. O gênio das composições e o mestre dos instrumentos, morre em Nova Iorque, quando estava se tratando de um câncer na bexiga.

A música brasileira alcançou respeito mundial graças às composições de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e tantos outros compositores, músicos e intérpretes da Bossa Nova.

Fica aqui, nossa eterna gratidão pela maravilhosa contribuição para nossa sociedade tão carente de cultura e de música de qualidade.

Referências

Antônio Carlos Jobim: uma biografia – Sérgio Cabral
http://seuhistory.com/hoje-na-historia/morre-o-maestro-tom-jobim
http://www.memoriaviva.com.br/mpb/tomjobim.html
http://dicionariompb.com.br/tom-jobim/discografia

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Comentários sobre o artigo (2)

  • MARIO ORTEGA NORIEGA
    7 de fevereiro de 2017 at 20:04 Responder

    Conceição do Rio Verde, 07/02/2017

    RADIO RIO VERDE

    Prezados Senhores,

    Muito obrigado por oferecer uma opção musical fantástica, que faz bem para a Alma, e enche de otimismo, e mostra a excelente qualidade da musica brasileira. A resenha histórica do maestro Tom Jobim , mostra quem era esse musico e poeta.
    Muito obrigado…..

    Saudações,

    Mario Ortega

  • CARLOS WILSON ANDRADE FERREIRA
    9 de fevereiro de 2017 at 14:56 Responder

    PARABENS RIO VERDE. SENSACIONAL!…
    A OPORTUNIDADE EM CONHECER OS DIVERSOS PARCEIROS QUE COMPUSERAM COM O GRANDE TOM JOBIM, FOI ENORME.DESTACO A PARCERIA COM O MEU SAUDOSO EX-COLEGA -BANCO DA AMAZONIA S/A (BASA)- BILY BLANCO. PARAENSE ‘PAI DÉGUA’!
    FICA MEU REGISTRO.

    GDE. ABS.

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