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O furacão Elis

"Biografias", por: - 9 de fevereiro de 2017

Biografia

A infância

Elis Regina Carvalho Costa nasceu em Porto Alegre no dia 17 de março de 1945, filha de uma costureira e de um funcionário da indústria de vidros.

Teve uma infância modesta, ainda na cidade de Porto Alegre, em uma casa de uma Vila Operária. Era uma menina tímida e de óculos grandes, muito educada e estudiosa.

Com timbre forte e voz potente sempre cantava nas reuniões de família. Sua música predileta era “Adios pampa mía”.

Sua avó materna, D. Ana, era a maior incentivadora de Elis. Ela insistia para que a menina cantasse sempre.

Elis Regina no Clube do Guri
Elis Regina no Clube do Guri

Aos 11 anos começou a cantar em um programa de rádio chamado “O Clube do Guri”, apresentado por Ari Rego, na rádio Farroupilha.

Deste momento em diante, Elis passou a ser presença constante no programa, que possuía uma nova edição a cada três domingos.

Elis cantando no Clube do Guri
Elis cantando no Clube do Guri

 

Elis Regina Auditório O Clube do Guri
Auditório O Clube do Guri

Elis continuou estudando, sempre com sonhos de se graduar em história e cantar profissionalmente.

Nasce uma estrela

Aos 15 anos, Elis assinou seu primeiro contrato e passou a ser cantora da rádio Farroupilha.

Aos 16, gravou seu primeiro LP, chamado “Viva a Brotolândia”, lançado pela Continental no Rio de Janeiro.

Este LP continha músicas com um estilo parecido ao de Celly Campello. A ideia da gravadora Continental era lançar concorrência a essa cantora que foi sensação entre os jovens roqueiros e rebeldes da época.

Em 1962, Elis Regina gravou seu segundo LP, o “Poema de Amor”, que foi relançado várias vezes após sua precoce morte.

Elis Regina se concentrando no estúdio
Elis Regina se concentrando no estúdio

Há divergências sobre o ano em que a cantora se mudou para o Rio de Janeiro. Algumas fontes citam o final de 1963 e outras, o inicio de 1964. O fato é que após dois meses na cidade, a cantora assinou contrato com a TV-Rio e acabou se transformando em atração também no Beco das Garrafas, um beco no bairro de Copacabana, conhecido pela vida noturna agitada e pela tradição com Bossa Nova e MPB. Ela se apresentava na boate Bottles.

Lá no Beco das Garrafas, Elis Regina conheceu o jornalista, músico e boêmio Ronaldo Bôscoli (16 anos mais velho e que mais tarde se tornaria seu primeiro marido), que junto com Luís Carlos Miele ou somente Miele, eram diretores de shows musicais.

Ronaldo Boscôli
Ronaldo Bôscoli

Neste período aconteceu um fato marcante, um dos fatos que justificaria o apelido “Pimentinha”, dado por Vinicius de Moraes a Elis.

Ela começou a faltar nas apresentações na boate Bottles, no Beco das Garrafas (seu talento já chamava atenção e ela recebia convites de todo o Brasil para se apresentar). Ronaldo Bôscoli usou tinta para pintar o nome de Elis na frente da boate. No momento da “pichação” estava acompanhado de Miele. Elis ficou com muita raiva da dupla e não cantou mais no local.

“E Elis ficou com ódio mortal justificado da dupla, embora o autor da maldade fosse o Ronaldo
Bôscoli”, explica Miele, no especial sobre a vida de Elis Regina “Por Toda Minha Vida”, produzido pela TV Globo.

Outro fato importante de 1964 é a reprovação de Elis Regina por Tom Jobim durante as audições para o musical Pobre menina rica. A alegação de Tom para a recusa era de que Elis ainda era muito provinciana.

Após o fato, Elis seguiu com sua agenda de shows.

1965 – Elis Regina e os Festivais de Música

No ano de 1965, o Brasil vivia sob o Regime Militar e a Música Popular Brasileira ganhava força.

Começaram os Festivais da Música Popular Brasileira e a MPB aparecia como um novo estilo musical, diferente da concepção antiga, de que tudo que era música brasileira, com exceção da erudita, era vista como música popular brasileira.

Em abril de 1965, Elis Regina participou de seu primeiro festival com a música “Arrastão” de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, transmitido pela TV Excelsior, de onde saiu vitoriosa levando para casa o primeiro lugar.

Dois dias após vencer o Festival de 1965, estreou no Teatro Paramount em São Paulo com o show Elis, Jair e Jongo Trio. Passou a apresentar também um programa de TV chamado Fino da Bossa, junto com Jair Rodrigues.

“Em algumas vezes nós terminávamos o programa e o público não saía. Então tínhamos que inventar brincadeiras, pegávamos pessoas do auditório que gostavam de cantar e colocávamos no nosso meio para cantarem”, explica Jair Rodrigues no especial sobre a vida de Elis Regina “Por Toda Minha Vida”, produzido pela TV Globo.

Jair Rodrigues, Aracy de Almeida e Elis-Regina em 1965

Em 1966 gravou o LP Elis, com grandes compositores até então desconhecidos, como Gilberto Gil, Milton Nascimento e Belchior. Ainda em 1966, Elis se classificou em quinto lugar na colocação do Festival de Música, já transmitido pela TV Record, com a música “Ensaio Geral” de Gilberto Gil.

Após dois anos do programa Fino da Bossa, a audiência começou a cair e a direção da emissora pediu mudanças. Uma das mudanças impostas foi a de que Ronaldo Bôscoli e Miele passariam a fazer parte do programa. Claro que isso causou uma imensa raiva na “Pimentinha”, que inicialmente não aceitava a participação dos dois no programa.

Elis menina, Elis mulher

Elis Regina e Ronaldo Bôscoli continuaram inimigos por muito tempo, até que em meados de 1967, para a surpresa e espanto de muitos, os dois anunciaram seu casamento para o dia 5 de dezembro de 1967. Elis então, com 22 anos e Ronaldo com 38.

Elis Regina e Ronaldo Boscôli
Elis Regina e Ronaldo Boscôli

Foi um casamento marcado por muita emoção. Elis sempre emotiva, vidrada e fascinada por Ronaldo Bôscoli, que já havia sido noivo de Nara Leão.

Casamento de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli
Casamento de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli

 

Casamento de Elis Regina e Ronaldo Boscoli
Casamento de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli

Em 1968, Elis começou a fazer viagens e shows internacionais, se apresentou em Paris e em Buenos Aires, mesmo não gostando de ficar fora do Brasil por muito tempo.

Em 1969, a carreira de Elis Regina já estava consolidada no Brasil e no mundo, e neste perído as viagens continuaram.

Fez mais shows internacionais, desta vez passando pela Bélgica, Suécia, Suíca, Holanda e Londres, onde gravou o LP Elis in London.

No ano de 1970, Elis deu um grande passo em sua vida pessoal e se tornou mãe de João Marcelo Bôscoli, fruto de sua união com Ronaldo Bôscoli.

Elis-e-Joao-Marcelo
Elis e seu filho João Marcelo

O nascimento de seu primeiro filho colocou uma pequena pausa em sua meteórica carreira.

Ela cancelou seus shows, pois seu filho “nasceu com alergia ao leite e precisava de cuidados especiais”.

Meses depois, Elis voltou aos palcos e foi convidada pela Rede Globo de Televisão a ter seu próprio programa, “Sexta-feira Nobre”.

Em 1971, Elis gravou a música Madalena, escrita por Ivan Lins. Esta música causou grande emoção nos shows e até hoje é referência quando se fala em Elis Regina.

Em 1972, Elis conheceu pessoalmente Tom Jobim. Ele foi até sua casa para lhe apresentar a música “Águas de Março”. Deste momento, nasceu mais um dos grandes sucessos de interpretação de Elis Regina. Uma obra prima que permanece até hoje em nossos corações.

Surgiu também uma amizade entre os dois. Tom Jobim a chamava de Élis.

O casamento de Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, que nunca foi muito estável, se encerrou após inúmeras idas e vindas também no ano de 1972.

Recomeços

A vida de Elis, como sempre, envolvida em um turbilhão de emoções e altos e baixos, seguiu pelo ano de 1973 dividida entre Elis mãe e Elis cantora.

O ano de 1974 marcou um novo casamento na vida de Elis, desta vez com o pianista César Camargo Mariano e a gravação do LP Elis & Tom, com Tom Jobim.

Elis-e-Cesar-Camargo-Mariano
Elis e Cesar Camargo Mariano

Este foi um ano produtivo, em que Elis irradiou talento e vontade de ser feliz.

No ano de 1975, Elis se tornou novamente mãe. Pedro Camargo Mariano nasceu no dia 18 de abril de 1975 em São Paulo.

Ainda em 1975, Elis estreou um espetáculo no Teatro Bandeirantes que ficou em cartaz por 14 meses, “Falso Brilhante”, recorde de público e bilheteria.

Foi neste espetáculo que Elis Regina lançou outro de seus sucessos, a música “Como nossos pais”, do compositor Belchior.

Depois do longo período de apresentações com Falso Brilhante, Elis se mudou para um sítio na serra da Cantareira em São Paulo e esperou pela chegada de Maria Rita Camargo Mariano, sua terceira filha, segunda de sua união com César.

Neste mesmo período, Elis, grávida de sete meses de sua terceira filha, Maria Rita, se encontrou com o compositor Renato Teixeira, ocasião em que conheceu a música Romaria, outro de seus grandes sucessos, eternizados por sua interpretação impecável e por sua maravilhosa voz.

No dia 9 de setembro de 1977, nasceu Maria Rita, hoje também cantora e produtora.

Em 1978, Elis lançou seu sexto álbum, o Transversal do Tempo. Este álbum foi gravado ao vivo, no mês de abril de 1978 e contou com composições de Chico Buarque, Adoniran Barbosa, Paulinho da Viola, Ivan Lins, João Bosco, Aldir Blanc, entre outros.

Elis-Cesar-Camargo-Mariano-Tom-Jobim-e-o-pequeno-Joao-Marcelo
Elis, Cesar Camargo Mariano, Tom Jobim e o pequeno Joao-Marcelo

O ano de 1979 foi marcante na vida de Elis. Com o lançamento do compacto Essa Mulher e todas as repressões da Ditadura Militar, Elis gravou a canção “O bêbado e a equilibrista”, um misto de homenagem e protesto.

A intenção dos compositores era homenagear Charlie Chaplin, falecido no ano de 1977. Mas a música acabou se transformando em um Hino da Anistia, em referência ao trecho “Que sonha com a volta do irmão do Henfil” (Betinho, sociólogo e ativista dos Direitos Humanos, irmão do cartunista Henfil, que foi exilado e permaneceu no Chile por algum tempo, depois se mudou para o Canadá e o México).

Elis Regina participou também do Festival de Jazz Montreux, na Suíça, neste mesmo ano.

No ano de 1980, Elis gravou seu último álbum de estúdio, o Elis. O curioso é que enquanto a cantora estava viva, este álbum vendeu apenas 52.000 cópias.

Entre os compositores deste álbum, podemos citar Gilberto Gil, Guilherme Arantes, Lô Borges e vários outros.

O ano de 1981, mais uma vez, é marcado com uma separação, agora de Cesar Camargo Mariano. Os amigos próximos diziam que o casal se completava, que conversavam por olhares e que tinham uma ligação maravilhosa. Nada disto impediu que esta união resistisse ao tempo.

Infelizmente, a vida é assim, ciclos que se iniciam e ciclos que se encerram. A vida de Elis não era diferente.

O ano de 1981 também ficou marcado com o Show “Trem Azul”, que teve sua estréia em São Paulo, passou por Curitiba, Porto Alegre e em outubro de 1981, chegou ao Rio de Janeiro.

Elis em seu último show
Elis em seu último show

O último show de Elis foi em 11 de dezembro de 1981, ainda na turnê “Trem Azul, no Rio de Janeiro.

O silêncio da voz

No dia 19 de janeiro de 1982, o namorado de Elis, na época do acidente, Samuel Mac Dowell, chegou ao seu apartamento, aparentemente nervoso, e encontrou Elis caída, com o telefone nas mãos.

Infelizmente, ele foi a última pessoa a ouvir algum ruído partindo de Elis.

Sua morte prematura causou comoção nacional. Seus três filhos pequenos ficaram órfãos de mãe. O Brasil ficou órfão de sua voz.

A cantora, se calou… E só nos deixou saudades.

Elis Regina não nos ensinou a viver sem sua genialidade!

Discografia

1961 – Viva a Brotolândia
1963 – O Bem do Amor
1963 – Ellis Regina
1965 – Dois na Bossa: com Jair Rodrigues
1965 – O Fino do Fino: com O Zimbo Trio
1965 – Samba Eu Canto Assim
1966 – Dois na Bossa N°2: Com Jair Rodrigues
1967 – Dois na Bossa N°3: Com Jair Rodrigues
1969 – Toots Thielemans & Elis Regina
1969 – Elis, Como e Porquê
1969 – Elis Regina in London
1970 – Elis, Miele & Bôscoli
1970 – Em Pleno Verão
1971 – Ela
1974 – Elis & Tom
1976 – Falso Brilhante
1978 – Transversal do Tempo
1979 – Elis Especial
1979 – Essa Mulher
1980 – Elis
1980 – Saudades do Brasil
1982 – Ao Vivo Em Montreux – Remasterizado
1982 – Trem Azul
1984 – Luz Das Estrelas
1990 – Fascinação
1990 – Nada Será Como Antes
1993 – Elis por Ela
1994 – No Fino da Bossa Vol III
1995 – Elis, o Mito
1998 – Música!
1999 – Elis Vive
1999 – Millennium: Elis Regina
2001 – Os Sonhos Mais Lindos
2001 – Warner 25 Anos: Elis Regina
2001 = Caixa Elis Regina
2001 – Dose Dupla: Elis Regina
2003 – Elis ao Vivo
2003 – Perfil – Elis
2004 – 20 Anos de Saudades
2004 – Participação Especial
2004 – I Love MPB: Elis Regina
2004 – Essential Brazil: Elis Regina
2005 – Novo Millennium: Elis Regina
2006 – Samba, Jazz & Bossa
2006 – Pérolas Raras
2012 – Um dia

Referências

http://www.ebc.com.br/cultura/2015/03/elis-regina-70-anos

http://revistaepoca.globo.com/cultura/Especial/noticia/2011/12/trem-azul-30-anos-do-ultimo-show-de-elis-regina.html

https://www.ebiografia.com/elis_regina/

https://educacao.uol.com.br/biografias/elis-regina.htm

http://www.elisregina.com.br/Por-Elis/Albuns/

https://www.vagalume.com.br/elis-regina/discografia/

Programa Por toda minha vida – Especial Elis Regina – Rede Globo

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