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A história do Carnaval no Brasil

"MPB", por: - 25 de fevereiro de 2017

Detalhes

A História do Carnaval no Brasil

A história do carnaval no Brasil tem suas origens no Período Colonial. Trazida pelos portugueses no final do século XVI, uma série de jogos e brincadeiras de rua tomavam a colônia em um determinado período do ano. A tais movimentos, dava-se o nome de Entrudo.

Os Entrudos constituíram os primeiros registros que se tem conhecimento sobre a festa popular que precedeu e originou o que chamamos atualmente de Carnaval.

Inicialmente, aqui tais jogos eram praticados principalmente por escravos, os quais jogavam pequenos sacos de areia, farinha e água uns nos outros. Pintavam também seus rostos e dançavam sem música.

Esta prática não era bem vista, pois aos olhos dos senhores, causava arruaça. Tanto que as famílias portuguesas e pessoas livres não costumavam participar da festividade.

Já no século XVIII, os Entrudos passaram a ser um pouco mais organizados e podiam ser divididos em dois tipos: Entrudo Familiar e Entrudo Popular.

Entrudo Familiar

Eram brincadeiras e jogos mais moderados com objetivo de entretenimento social. Ocorriam geralmente nas casas de famílias ricas dos centros urbanos. Numas das mais populares brincadeiras, os moços da época faziam uma espécie de guerra com limões. O jogo não era violento e não tinha por objetivo machucar, mas apenas estabelecer laços de amizade.

Entrudo Popular

Ocorriam nas ruas das cidades, principalmente nos bairros mais populares. Ocorriam guerras de ovos, água suja, urina, frutas podres, etc. Tinham um caráter agressivo e desrespeitoso.

Enfraquecimento da tradição

A partir de meados do século XIX, governantes e autoridades passaram a tentar acabar com esta festa popular, considerada grosseira e violenta. Em várias cidades o Entrudo Popular foi proibido, porém somente nos primeiros anos do século XX que ele perdeu força.

Embora não se ouça mais falar em Entrudo, em muitas regiões do Brasil ainda são comuns, na época do Carnaval, as guerras de água e frutas podres, principalmente entre crianças e jovens de regiões mais pobres.

No século XIX o Entrudo foi proibido por causa da violência e a história do carnaval começou a se modificar.

Bailes de Carnaval

Em meados do século XIX, após a proibição do Entrudo, os bailes de Carnaval ganharam força, pois era uma festa em que somente a elite do império participava.

Nestes bailes, os participantes usavam máscaras (ao estilo do luxuoso Carnaval francês) e dançavam ao som das Polcas (uma dança popular oriunda da República Tcheca, onde um de seus objetivos era promover a aproximação física dos participantes).

Já no final do século XIX e início do século XX, uma mulher, pianista, compôs uma música em um estilo desconhecido para a época, que até hoje faz grande sucesso.

A história das Marchinhas no Carnaval

A história do Carnaval no Brasil

A mulher que falávamos no parágrafo anterior é Chiquinha Gonzaga, e a música de grande sucesso “Ó abre alas”, tocada até hoje nos carnavais a mais de um século depois de sua composição.

Chiquinha Gonzaga era uma mulher ousada para sua época. Após seu divórcio, começou a tocar em festas conceituadas da sociedade, o que foi uma afronta à moral e os bons costumes, já que até então, as mulheres eram educadas para serem submissas e sempre estarem à sombra de algum homem, seja o pai ou o marido.

A partir daí, a história do Carnaval mudaria mais uma vez.

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar…

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar…

Esta marchinha, se tornou um sucesso atemporal e fez com que Chiquinha Gonzaga jamais fosse esquecida.

As marchinhas passaram a invadir o Carnaval e divertir os foliões, ganhando as ruas e popularizando novamente a festa.

O antigo Entrudo, agora com novo nome, formato e ritmo se tornava novamente uma comemoração alegre, não violente e acessível a todas as classes sociais.

Marchinhas que cantam e ainda encantam

Quem nunca dançou ao som das marchinhas ou não se viu cantarolando alguma delas?
Destacamos aqui as mais famosas, que certamente fizeram parte da sua história e também serão inesquecíveis para as próximas gerações.

MAMÃE EU QUERO

(Jararaca-Vicente Paiva, 1936)

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira e vem entrá pro meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Olho as pequenas mas daquele jeito
Tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

Esta marchinha fez sucesso internacional na voz de Carmem Miranda com o título “I Want My Mama”, foi reproduzida em filmes, séries e desenhos animados.

TA-HÍ

(Eduardo Dusek)

Tahí
Eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ó, meu bem
Não faz assim comigo, não
Você tem
Você tem
Que me dar seu coração

Essa história de gostar de alguém
Já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse nosso senhor
Eu não pensaria mais no amor

Meu amor, não posso esquecer…
Se dá alegria, faz também sofrer
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não tem fim

ALLAH-LÁ-Ô

(Haroldo Lobo-Nássara)

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

AURORA

(Mário Lago-Roberto Roberti, 1940)

Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

(Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira)

Ei, você aí!
Me dá um dinheiro aí!
Me dá um dinheiro aí!

Não vai dar?
Não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair
Me dá me dá me dá, ô!
Me dá um dinheiro aí!

CACHAÇA

(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça

CABELEIRA DO ZEZÉ

(João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963)

Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!

Esta prática de Carnaval ao som de marchinhas, nas ruas ou nos clubes, sem controle ou horário, se estendeu até meados de 1929.

Após a Revolução de 1930, o Carnaval passou a ter regras e regulamentos, que mais uma vez impactaram a população menos favorecida, e também a história do Carnaval no Brasil.

Carnaval das escolas de samba

O Rio de Janeiro, na década de 30, ainda era a capital do país, e era também o local onde havia o maior número de foliões nas ruas durante o Carnaval.

Logo, foi a cidade que sofreu o maior impacto com as mudanças estabelecidas.

Um pouco antes da década de 30, especificamente no ano de 1928, foi fundada no Rio de Janeiro, a primeira escola de samba do país (fundada como bloco), com o nome de “Deixa Falar”.

Curiosamente, o termo escola de samba, surgiu nessa época, pois os ensaios da “Deixa Falar” aconteciam ao lado de uma Escola Normal, na rua Estácio e os sambistas eram chamados de professores de samba.

Nesta escola, foram inventados instrumentos como o surdo e a cuíca.

A Deixa Falar nunca chegou a desfilar como escola de samba, e sim, como bloco, mas teve um papel muito importante para a história do Carnaval.

Samba-enredo

O primeiro samba-enredo da história, foi cantado no Desfile da Unidos da Tijuca no ano de 1933.

Até o ano de 1946, os sambas eram compostos de refrões e os versos eram improvisações dos componentes da escola.

A partir do ano de 1947 o samba-enredo (como conhecemos atualmente) foi adotado e cantado durante o tempo de desfile da escola de samba.

O primeiro samba-enredo foi gravado no ano de 1955, com o título “Exaltação a Tiradentes”. Mas, não teve grande sucesso.

Em 1967, a Mangueira lançou o primeiro samba-enredo de sucesso chamado “O Mundo Encantado de Monteiro Lobato”.

A cidade de São Paulo também é referência em grandes desfiles de escola de samba e vem a cada ano, mais parecida com o tradicional carioca.

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