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1973 O ano que reinventou a MPB

"MPB", por: - 24 de abril de 2017

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O ano de 1973 reinventou a MPB. Você concorda com essa afirmação?

Ela foi feita originalmente por Célio Albuquerque em seu livro que leva o mesmo nome deste artigo. Mas afinal, o que houve de tão especial nesse período para ser considerado como o ano da reinvenção deste gênero musical?

Se você é amante de MPB, ficou curioso e ainda não teve a oportunidade de ler essa valiosíssima obra, viaje no tempo conosco e entenda porque 1973 reinventou a música popular brasileira.

 

1973 O ano que reinventou a MPB

1973 – Um ano marcado pela música popular brasileira

O ano de 1973 foi um período de muita variedade e qualidade musical, ou como Célio mesmo define, foi “um ano de ouro em tempos de chumbo”.

Quando os termos variedade e qualidade são abordados, dizem respeito à qualidade musical das composições em diferentes estilos que surgiram, mesmo que sob censura e vigia constante, o que nos remete aos tempos de chumbo.

Vale lembrar que a década de 70 foi o auge da ditadura militar no Brasil, período em que nossos maiores compositores tiveram que usar o “deixe-o” do slogan da ditadura que era: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Esta fase foi marcada assim pela evasão de muitos músicos que deixaram o país devido à forte repressão, os quais aguardavam poder cantar e compor suas canções em solo tupiniquim.

Mesmo diante dessa complexa situação, 1973 foi marcado pelo lançamento de vários LPs, como o de estréia de Raul Seixas, Secos & Molhados, Luiz Melodia, Fagner, Sérgio Sampaio, Walter Franco, João Bosco e Gonzaguinha, o que nos leva a pensar no que houve de tão especial naquele ano para que tantos nomes que fizeram história aparecessem praticamente juntos?

1973 Raul Seixas

O especial nesta época foi o diferencial musical. As canções de protesto já haviam passado, embora a ditadura ainda não. A bossa nova já não era tão nova assim, o tempo era de algo diferente, que envolvia protestos, melodias, letras e muito mais.

A multiplicidade dos gêneros musicais abria passagem para o novo, para os novos cantores e grupos que vinham a tempos buscando seu espaço.

Uma prova disso, foi que a gravadora Phillips, lançou um projeto chamado Phono 73, que dava espaço ao novo e ao velho, abrindo oportunidades a cantores consagrados e também aos que estavam surgindo.

Este foi um ano marcado por lançamentos em todos os segmentos musicais nacionais, uma época de grandes descobertas que certamente se eternizaram.

 

A era da TV

Curiosamente, neste período a TV começava a ganhar espaço na vida do brasileiro.

Programas como o do apresentador Abelardo Barbosa, o Chacrinha, levavam para a televisão os maiores sucessos do rádio.

Chacrinha - "O velho guerreiro"
Chacrinha – “O velho guerreiro”

Neste período, as novelas também ganhavam espaço e suas trilhas sonoras mediam a popularidade das músicas.
Este foi o ano da novela O Bem-Amado, que levou para as paradas de sucesso seu tema, composto pela já consagrada dupla Toquinho e Vinicius (de Moraes).

Na década de 70 também eram comuns os lançamentos de discos de coletânea, o que expandia o gosto musical do nosso povo.

 

Lançamentos

1973 foi o ano das pluralidades musicais. Dentre seus lançamentos alguns destaques ficaram por conta de ícones da música popular brasileira nordestina, tais como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro.

Na Bossa Nova, sucessos de Tom Jobim, João Gilberto, João Donato, Luiz Bonfá e o estreante Pery Ribeiro (filho da cantora Dalva de Oliveira e do compositor Herivelto Martins) também marcaram o ano.

Nas vozes femininas, os destaques ficaram por conta de Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Elizeth Cardoso, Beth Carvalho, Clara Nunes, Marisa Gata Mansa, Evinha e a estreante Simone Bittencourt de Oliveira (ex jogadora de basquete).

Nesta mesma época, a cantora brasileira Flora Purim foi eleita pela revista americana Downbeat, como a melhor cantora de Jazz.

Flora Purim
Flora Purim

No Samba, os lançamentos ficam por conta de Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Lupicínio Rodrigues, Synval Silva (seu primeiro e único LP) e Jair Rodrigues com o samba canção “Orgulho de um sambista”.

Benito de Paula e Ronnie Von também marcaram presença nos lançamentos de 1973.

Dentre tantos sucessos, Raul Seixas e Secos & Molhados, segundo Célio Albuquerque em sua obra, foram os artistas mais marcantes do ano.

 

Os maiores sucessos de 1973

Quando ouvimos falar em “Mosca na Sopa” e “Metamorfose Ambulante” logo nos lembramos de Raul Seixas. Quem não se lembra destes grandes sucessos?

Raul-Seixas-2
Raul Seixas

Pois é, e foram lançados no ano de 1973.

A música “Rosa de Hiroshima” também é uma canção que nos lembramos ainda hoje, lançada neste mesmo período.

Boa parte dos grandes sucessos desta época eram os chamados românticos / populares, que pouco tempo depois ganhariam um nome nada nobre: o brega.

Outro lançamento de um grande sucesso da época que ainda hoje é lembrado foi a canção de Odair José com o título um tanto quanto incomum: “Uma vida só (pare de tomar a pílula)”.

O cantor José Augusto também começou a aparecer no cenário musical neste ano, com o lançamento de seu primeiro LP que leva seu nome. Ele é um dos cantores que mais tarde também seria conhecido como “cantor de música brega”.

 

Bossa Nova marca presença

Este foi um ano em que a Bossa Nova marcou presença. Além dos consagrados lançamentos de Tom Jobim e João Gilberto, Luiz Bonfá também lançou um disco. Jacarandá é o nome da obra, com arranjos de Eumir Deodato. E por falar nele, ocorreu também o lançamento de Prelude (Top Tape) que tem no repertório “Also sprach Zarathustra”, contando com a co-autoria de arranjos do próprio Deodato, do filme “2001 – Uma odisséia no espaço”, que se tornou sucesso mundial.

 

Grandes perdas da música

Neste ano, as descobertas musicais foram grandes, porém as perdas também foram imensas.

Entre elas, podemos contar a do grande mestre Pixinguinha, a do compositor e intérprete Cyro Monteiro, a de Monsueto, autor de 140 músicas e a de Agostinho Santos, da música “Manhã de Carnaval”, da trilha sonora do filme Orfeu Negro.

 

Phono 73 – o canto de um povo

O projeto Phono 73 foi realizado na capital paulista e teve duração de três dias. A aposta era criar duplas reunindo nomes de todos os segmentos musicais.

Phono 73, o Canto de um Povo

Algumas das duplas foram Chico Buarque e Gilberto Gil, Caetano Veloso e Odair José e Gal Costa e Maria Bethânia.
A música que causou mais espanto foi “Cálice” de Chico Buarque e Gilberto Gil. Infelizmente esta canção não entrou para o LP do projeto, pois, por conta da censura, os microfones foram desligados. A dupla foi previamente avisada deste desligamento.

Outro ponto que marcou o festival foram as vaias para a cantora Elis Regina, que pouco tempo antes havia cantado durante um evento esportivo para o Exército.

Foram gravados 3 LPs deste festival. Este episódio com a canção “Cálice” a tirou dos discos e a mesma foi oficialmente lançada em 1978.

O projeto lançou 3 LPs. O conceito do Phono 73 foi uma mostra de talento, uma espécie de festival sem concorrência.

 

Se você concorda que 1973 foi o ano que reinventou a MPB, deixe aqui seu comentário e nos ajude a escrever mais artigos como este!

 

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